Arquivos Mensais: Agosto 2008

Voei ao acaso e eis-me lado a lado com a melodia “Gone”, da Madonna, sentindo cada palavra e acorde. Afinal, também eu já me transformei em pedra para não sofrer, sem que de tal me apercebesse. As partidas e fugas fizeram parte integrante do meu ser.

Passado distante, sem cor nem fragrância. Momentos de sofrimento, com dor que não dói.

Agora, sinto as tuas palavras. Sorri e… continuas sem rosto! Assim… Sim, assim… Porque o afecto nasce e constrói-se.

Quase da minha idade…

Na minha adolescência e nesta noite, no Arte…

Ela e eu… Quantas diferenças.

Não fujas

Não fujas

Procuro quem me possa amar, talvez também ele escondido por entre dúbias formas de masculinidade.

Exponho a minha forma de voyeur, até então desconhecida, e que tão bem se esbate contra o meu mal estar estético e preconceitos.

Naquele balneário descobri que afinal sou igual a tantos outros, não fosse a barriga e as parcas dimensões do pénis que sempre me castraram.

Meat Loaf – “I’d Lie for You”

Teia sem afecto

Teia sem afecto

Quantas semelhanças com o séquito pertencente ao clero da obra cinematográfica “O Crime do Padre Amaro”… Também o seu peito emanava energias que quase não conseguia entender, durante aqueles meus 15 anos. Com o meu ar angelical de então, e porque não acrescentar também “de ignorante”, as mulheres casadas caiam-lhe nos braços. Recordo a mãe do C., mesmo à nossa frente, com uma camisola que estava a oferecer ao Sr. Padre, aproveitando para apalpar o peito. Interrogava-me de como o filho não se apecebia. Estaria a minha líbido tão desenvolvida, naquela idade?

Talvez o que em mim não perdoe, por não ter entendido, durante os anos em que meu pai me obrigou a ir à missa, até ingressar no ensino superior, na Sacristia, enquanto trocávamos impressões acerca das leituras que tinha de realizar, ele pegava na mão da minha colega de leitura, com grande subtileza e acariciava o seu pénis. A isto chama-se … Interessa?

Claro que acabou por ser convidado a abandonar a Paróquia, tal como tinha acontecido com a anterior, para descontentamento de muitas mulheres (sobretudo casadas – e quem sabe homens também).

O minha separação da religião iniciara-se, em plena adolescência, com um Padre que a tantos cativara e que em mim promovera repúdio.

Aquele homem que num fim de tarde de Maio, no sofá da sala com características dos anos 50 me fez sonhar e acreditar apresentou-se de novo no meu horizonte. Desta vez, acompanhado pelo filho, elemento que desconhecia no passado recente. Separados por uma estrada e a vitrine do meu café preferido, decidi provocá-lo por sms, questionando o café há muito prometido e alertando para a sua falta de cuidado com a tez, evidenciando sinais de envelhecimento tão precoces. Sabia assim provocá-lo de forma significativa.

Pelas 24 horas, mensagens ardentes, sem qualquer sentido para mim, cairam no meu telemóvel. Até de SPA fui chamado… Considerado como alguém muito admirado por esse ser que agora me provaca repúdio face ao que me fez sofrer, tendo-me levado nas asas do sonho, tendo-me deixado cair na inércia da insignificância. Foi a minha vez de retribuir na mesma moeda. Sujo, é certo. Mas nunca ninguém tinha brincado com os meus sentimentos de forma tão caústica.

Aquela mulher que subitamente apareceu na minha vida, retirando-me o ar, querendo curar aquela que entendia ser a minha doença – a homossexualidade.

Por vezes até eu fico preso nas asas do ridículo entre os pensamentos turvos que oscilam o normal e o patológico. Afinal, quantas vezes ouço, numa semana, por parte de pessoas licenciadas, que os homossexuais são deficientes…