Muitos pensam que o assumir uma orientação sexual diferente, vivê-la e senti-la é um motivo de regozijo e tentativa de chamamento, para si, das atenções.
Tal não corresponde à verdade. As vicissitudes têm uma dimensão muitas vezes nefasta, sobre a essência do portador da diferença. A consciencialização, a sociedade, as formas de estar e pensar, as relações e a magia são factores que influenciam a maneira de ser e estar. Quantos não nos abandonam, consideram deficientes, anormais… E muitos de nós, assim nos sentimos, pelo que, ao ouvir tais palavras de escárnio, elas marcam e têm consequências.
Recordo aquele que era como o irmão que não tive. Apoiei-o em momentos marcantes da sua carreira profissional e na sua relação de cônjuge. Um dia, testando terreno, ouvi: “nem sabem o nojo que sinto quando, numa prova, me despi junto a um homossexual…”. Ainda questionei:-”mas o facto de ser homossexual não implica que ele tenha sentido desejo por ti”. A mulher referiu ainda um caso, conhecido pelo grupo, de uma colega douta, em vários domínios, também ela homossexual e da qual ele nunca desconfiou. Mas a homossexualidade feminina parece ser melhor aceite.
Nunca lhe revelei a minha identidade descoberta, muitos anos desconhecida e mergulhada em abismos do meu inconsciente. Penso que a esposa o fez. Obtive a abnegação…
Porque a discriminação existe!
