Sentes?
Aquele ponto
21 04 2008
Sinto-me mais desinibido. Estranho, porém real, no estado da actual ditadura.
Na mesa, para além dos risos salutares, que tanto perturbam as almas mortas, vivas apenas na aparência, a discussão tomou lugar. Aqueles momentos que tanto aprecio, nos quais se dá lugar à reflexão, processo evolutivo do Homem. Algumas das intervenientes, pela primeira vez, ouviria falar em microfalos. Sensibilidade senti, a qual quase me levou a uma abertura espontânea, não fossem as cautelas geradas por experiências passadas. Este é um texto no qual os parágrafos evito, para não cessar a minha sessão de psicoterapia.
“O pénis pequeno” e os microfalos ainda são motivo de tabu. Os homens parecem ser avaliados pelo membro do qual são portadores, muitas das vezes apenas pela satisfação da visão. A verdade é que, não me enquadrando na primeira categoria, a segunda muito me diz. Assim, os pesadelos intensificados pelo desconforto da alma, iniciaram-se na minha pré-adolescência, nos terríveis balneários da disciplina de Educação Física. Tomar consciência de uma diferença, em termos de centímetros, que à humilhação – agora designada por “bullying” - me conduziu, durante anos, não foi tarefa fácil. De início, passados alguns anos, com coragem, o coração abri junto à minha mãe. Agora reconheço que essa teria sido a melhor altura para ter dito que sentia grande atracção por rapazes. Mas o receio de agressão, por parte do meu pai e humilhação sucessiva calaram-me. A melhor nutricionista/endocronologista acompanhou-me dissipando a minha mente com quimeras. De facto, em termos hormonais tudo estava normal mas tal não lhe permitia argumentar que o tamanho estava dentro dos parâmetros considerados normais… Recordo a primeira vez. Sim, a primeira experiência sexual, na qual aquela rapariga, quase desconhecida, se despiu, à minha frente e pediu: -”Agora f**e-me”. As evidências dos seus caracteres sexuais secundários despertaram em mim um apetite voraz pelo cumprimento do seu desejo. Porém ouvi: -”Mas a tua é mais pequena do que a do R.”. Se os fantasmas já pairavam em mim, o termo de comparação foi motivo de descontentamento prolongado, ainda hoje em mim existente. Senti que de nada adianta ser mais bonito, inteligente e até mesmo uma pessoa diferente. Pelo contrário, nas relações com os pares do mesmo sexo, as comparações não se faziam sentir. Questiono-me se nesta etapa da minha vida terei desenvolvido uma “homossexualidade adquirida”. Se por um lado os homens são motivo de prazer, em termos afectivos, face às minhas fragilidades, por outro nunca deixei de os associar a dotes por mim jamais adquiridos. Ainda tentei, na procura iludida a uma circuncisão, resolver parte do problema. Recordo o urologista, comentando para o colega: “tão pequena já tinha visto várias, em Coimbra mas não quanto ao diâmetro”.
A conversa continuou:
A: -”Já viste… Um homem assim deve viver sem procurar uma mulher, …sozinho”.
B: -”Um amigo viveu esse problema. Em EF não tomava banho com os colegas. Até que, segundo ele, houve uma idade em que tudo se desenvolveu”.
C: -”Ena, já viste… Estamos para aqui a rir, com os tamanhos e até podemos estar a magoar alguém com esse problema”.
As gargalhadas deram lugar a um assunto sério no qual apenas inferi estar abaixo da média portuguesa. Por entre as palavras, nas quais senti vontade em soltar o meu grito, pensei, acalmando a minha ansiedade: “ainda eles não sabem que têm um caso desses, aqui tão perto”. A verdade soltou-se das suas bocas, assim como o meu sentir. Pedaços de nós que nos acompanham até à próxima vida…
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Líbido que foge
19 04 2008Aquela energia, aquela pulsão…
Quantas vezes me foge. Será o vento?
E nas manhãs instala-se a tua ausência…
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E assim entrou… na adolescência
18 04 2008A confiança que alguns alunos despertam em nós elevam o nosso ego.
Com receio das palavras disse: -”Sabe setôr… Aconteceu… Aquilo de que falamos nas aulas (…)”
Não percebendo pedi-lhe para clarificar o raciocínio. Prontamente, um colega ao qual tinha feito a confidência em causa se pronunciou: -”O F. hoje chegou atrasado à aula X porque aconteceu-lhe algo inesperado. Teve um daqueles sonhos… Molhados!”
F, aliviado perguntou: -”Então agora já sou adolescente?”
Por entre um sorriso conversei com ele, à semelhança de quando o ensinei a fazer a barba e a usar o champô para cabelos oleosos. Esta etapa fez-me viajar nos tempos, lamentando a falta de quem me acompanhasse nesta etapa e seguintes. No meu fundo, permanece o desejo de que a adolescência de F. seja saudável e cheia de cor, ao contrário da minha.
Em parte, por minha culpa…
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Indecisão, no mundo das sensações
17 04 2008Comentários : 2 Comentários »
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Um amor, no masculino
16 04 2008Yehonathan – Just another summer
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Mais do que ditadura, na educação em PT
16 04 2008Hoje, ao receber uma carta, dos meus pais, na escola, com a expressão “Ao Cuidado de Dr. Lost”, a mesma foi dirigida (e aberta) ao órgão de gestão, sem meu conhecimento.
A este procedimento chamamos…
Simplesmente não sei!
A star, so bright, you blind me, yeah
Don’t close your eyes
Don’t fade away, don’t fade away-
Oh
Yeah you and me we can ride on a star
If you stay with me girl
We can rule the world-
Yeah you and me we can light up the sky
If you stay by my side
We can rule the world-
If walls break down, I will comfort you
If angels cry, oh I’ll be there for you
You’ve saved my soul
Don’t leave me now, don’t leave me now
Oh
Yeah you and me we can ride on a star
If you stay with me girl
We can rule the world
Yeah you and me, we can light up the sky
If you stay by my side
We can rule the world-
Ooooooooh
All the stars are coming out tonight
They’re lighting up the sky tonight
For you, for you
All the stars are coming out tonight
They’re lighting up the sky tonight
For you, for you-
Ooooooooh
Yeah you and me we can ride on a star
If you stay with me girl
We can rule the world
Yeah you and me, we can light up the sky
If you stay by my side
We can rule the world
All the stars are coming out tonight (oooooooh)
They’re lighting up the sky tonight
For you, for you-
All the stars are coming out tonight
They’re lighting up the sky tonight
For you,for you-
All the stars, are coming out tonight
They’re lighting up the sky tonight
For you, for you-
All the stars, are coming out tonight
They’re lighting up the sky tonight
For you,for you-
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Fui
11 04 2008
Na vida, a palavra “não” é muito poderosa.
Houve tempos, durante anos, em que a não soube usar. Porém, ao descobrir um novo episódio, no mundo das dependências, o superar fez-se também pela sua adopção.
Dificulta-me viver quando sinto que me retiram o ar. Preciso do meu espaço, mesmo que vazio, e do meu canto, mesmo que degradado. No mundo dos blogues, jogos de ping pong não combinam com o meu bem estar. Assim, como admitir julgamentos ou exigências que ultrapassam algumas das minhas dimensões.
Naquela vida apareci após a ruptura virtual com um outro individuo douto e de personalidade vincada. Não omiti os meus estados de alma, orientação sexual ou traços menos agradáveis. A perfeição não existe e jamais fará parte de mim. Apesar da minha insegurança, gosto de por mim pensar , seguir o percurso do rio e estudar a erosão. Um desejo resta: que as águas não me circundem nem abneguem aspectos pouco triviais.
A dependência em relação a pessoas é uma realidade!
Abnego-a, como no percurso das águas.
Dito isto, “fui”…
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Pecados da educação, em 2 episódios
9 04 2008
Do sonho, a arte de ensinar tem vindo a transformar-se num amargo pesadelo.
Actualmente, as 12h passadas por muitos dos professores, nas escolas, dissipam elementos de criatividade e relação pedagógica. O importante é preencher documentação, matando árvores e formar, de forma extemporânea, muitos alunos que nada sabem. O rigor da avaliação tornou-se irreal…
Se actualmente considero que na educação se verifica um retrocesso, no que às acessibilidades ao currículo diz respeito, assim como sucedia no Estado Novo, a Educação de (e com) qualidade apenas está acessível a quem muito dinheiro tem, o processo de integração dos alunos com Necessidades Educativas Especiais tem-se enquadrado na matriz citada. Ainda ontem assisti, sentindo nojo, como se sujo estivesse, à integração de uma aluna no 3/2008, com um relatório psicopedagógico elaborado por equipa privada, sem dúvida muito dispendioso, com aspectos aterradores (e muito questionáveis, no que à gravidade diz respeito). Pobres dos alunos sem poder económico e daqueles que cumprem a Lei. Para eles não é também a escola dos nossos dias!
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